EN

| |   |   |  

ENTREVISTA - JAIME ANDREZ

Presidente da Comissão Diretiva COMPETE 2020

Estamos sensivelmente a meio do período do Programa Compete2020. Que balanço podemos fazer do seu impacto para a economia nacional?

A grande ambição da atual Comissão Diretiva, foi a de acelerar o investimento empresarial, assegurando uma coordenação efetiva da Rede do Sistema de Incentivos, lançando Avisos com dotações reforçadas e assegurando a rapidez da transferência de incentivos para as empresas executarem os seus investimentos em tempo útil. Foi assim que se passou de cerca de 4 M€ pagos às empresas, no final de 2015, para mais de 925 M€ no final do mês passado, em toda a Rede.

Neste contexto creio que posso afirmar que os programas que atuam sobre o domínio de internacionalização e competitividade tiveram e têm um papel fundamental para alavancar o investimento empresarial, recordando o contexto de retracção da banca, permitiram criar confiança dos agentes económicos para apostar na orientação para o aumento das exportações e para as actividades de I&D fundamentais para a criação de produtos diferenciadores no mercado.

 

 

Dentro dos eixos de atuação do Programa, quais é que considera serem os fatores mais críticos para a competitividade da economia nacional?

Tendo em conta a matriz conceptual que orienta os instrumentos do COMPETE 2020, destacaria como factores críticos para a competitividade nacional, entre outros, a aposta continua na I&D empresarial e na transferência de conhecimento, a capacidade das empresas em apresentar carteiras de produtos e serviços intensivos em tecnologia e conhecimento, com alto valor acrescentado e orientadas para produção transacionável, a diminuição dos constrangimentos para a competitividade e crescimento das PME, ao nível dos custos de contexto, apostando na modernização e simplificação administrativas. Recordo que nos índices do WEF, Portugal ainda tem um caminho importante a fazer para facilitar a relação das empresas com a Administração Pública.

 

 

Com base nos resultados alcançados até agora, quais são as metas que gostaria de alcançar até ao final do programa?

O meu objetivo é cumprir as metas que estão contratualizadas com a Comissão Europeia. Sublinho o foco deste período de programação nos resultados e consciente de que a implementação dos investimentos demora tempo pois, em média, os projetos entram em velocidade cruzeiro cerca de cinco anos após a candidatura, o que significa que a maioria dos projetos aprovados no PT2020 ainda não atingiu essa fase e, por isso, ainda não é possível constatar resultados efetivos. Ainda assim, podemos falar em estimativas, que são bastante favoráveis, principalmente se forem perspetivadas face ao atual contexto económico. E estamos a falar de compromissos contratuais. As empresas que as não cumprirem, não receberão o incentivo. Não contratamos mais a realização de Investimento mas sim os resultados. Neste contexto diria, só considerando os projetos de Inovação Produtiva aprovados até 31 de julho, no COMPETE 2020 e PO Regionais, estima-se que os mesmos, possam resultar na criação líquida de cerca de 24.800 postos de trabalho, dos quais, 7.300 qualificados), num aumento superior a 5.700 M€ do Volume de Exportações e num acréscimo superior a 6.700 M€ do Volume de Negócios.

E quando fecharmos o programa estou convicto que termos contribuído para o reforço do investimento em I&D empresarial, para uma acréscimo de patentes, para o fortalecimento da imagem de Portugal no exterior e para mais emprego mais qualificado.

 

 

Focando na internacionalização, o que considera serem os principais fatores de competitividade das empresas portuguesas no mercado global?

A indústria é um dos motores decisivos para o desenvolvimento do país, sendo o grande impulsionador das exportações nacionais. A aposta na exportação e internacionalização foi uma estratégia crucial das indústrias portuguesas aos efeitos da crise financeira que o país atravessou.

E neste caminho, as PME encontraram novas dinâmicas de competitividade. Algumas passaram por selecionar nichos ou por apostar na diferenciação através da especialização.

Sendo o tecido empresarial nacional maioritariamente constituído por PME isto é claramente uma vantagem. As pequenas e médias empresas possuem maior capacidade de adaptação às características dos nichos, pequenos segmentos de mercado com necessidades exclusivas e que pagam mais por isso. Processos produtivos flexíveis, capacidade de personalização, expedição e entrega fracionada são características necessárias para quem quer atuar nesse tipo de negócio.

  

Leia a entrevista na íntegra aqui


SHARE WITH


02 · 10 · 2017